segunda-feira, 19 de abril de 2010

E com vocês o Sr. Honório de Balzac

Gosto muito dos romances e novelas de Balzac. Afirmo isso sem nenhum conhecimento de causa pois o que li do autor não representa ínfima parte do que o desgraçado escreveu - 89 títulos integram a Comédia Humana-. Propus-me ainda em vida ler, ao menos, todos os romances e novelas que compõem as Cenas da Vida Parisiense, que me parecem ser o filé mignon da Comédia Humana, o que afirmo, repito, sem nenhum conhecimento de causa.
O danado do escritor nos pega sempre por seus começos. Os parágrafos iniciais de suas narrativas são sempre muito instigantes e no fazem seguir sempre em frente na expectativa de se deparar com algo parecido com o que você leu no início do romance, da novela, do conto, o que nem sempre acontece. De vez em quando ele te presenteia com um bibelotezinho qualquer, como aqueles infelizes que praticam a maratona e em algum momento dos 140 km que devem percorrer, ganham uma garrafinha de qualquer isotônico pra dar uma refrescada.
Mas como falo sem nenhum conhecimento de causa, com já foi dito anteriormente, dou voz ao velho Balzac em seu Ferragus, primeiro do ciclo da História dos Treze, da qual também fazem parte, A menina dos olhos de ouro e, ainda,  A duquesa de Langeais. Preparar, apontar, fogo:

Existem em Paris algumas ruas de tão má reputação quanto a que pode ser atribuída a um homem que cometeu alguma infâmia; existem também ruas nobres, ao lado de ruas simplesmente decentes; um pouco mais além, estendem-se ruas jovens, sobre cuja moralidade o público ainda não teve tempo de se decidir; e há ruas assassinas; ruas mais antigas que as mais velhas das viúvas ricas; ruas simpáticas, ruas sempre limpas, ruas sempre sujas, ruas operárias, trabalhadoreas, comerciais. Em uma palavra, as ruas de Paris têm qualidades humanas, e seu aspecto geral nos impõe certas idéias contra as quais no sentimos indefesos.

E assim segue, a aventura pelas misteriosas ruas de Paris. Foi leitura muito apreciada. Recomendo àqueles que não têm o que fazer, e aos que têm muito, e não desejam fazer nada.

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