O estudo da física do livro nos ensina que a forma a que estamos habituados corresponde a um certo manejo, a um certo emprego; ele nos mostra também que não é indispensável que a superfície sobre a qual depositamos os traços seja plana; se ela for curva ou complexa, a ligação entre suas regiões será totalmente diversa.
A arquitetura nos dá inúmeros exemplos desse fato. Os monumentos antigos são em geral cobertos de inscrições, que se dispõem em espaços de inesgotável variedade.
O lugar ocupado por uma palavra no desenrolar da frase muda seu sentido, mas o mesmo ocorre com relação ao lugar que ela ocupa no desdobrar da página, na expansão do volume.
Hugo declarava que o livro era um transformação moderna da arquitetura, uma arquitetura tornada plenamente móvel pelo fato de ter sido, por sua multiplicação, liberada de seu lugar. (240-241)
Isso não muda a vida de ninguém, mas acho interessante dar-se a pensar sobre temas como os sugeridos por Butor. Por quê se apegar àquela idéia rançosa de que tudo o que fazemos deve ser útil. Isso enche o saco.
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