segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não é preciso de título pois isso não se endereça a ninguém a não ser ao desocupado que aqui resolveu se instalar.

Resolvo então retomar as bobagens que escrevo neste espaço, que me permite fazer o que bem entender, testar minha incompetência para a escrita bem como para a reflexão mais cautelosamente desenvolvida. Me pergunto se devo fazê-lo e sem pensar muito a respeito respondo a mim mesmo que sim. Como um caderninho juvenil retorno ao mesmo ofício de anotar coisas sem importância. Começo com umas reflexões um pouco enviesadas de Michel Butor acerca da materialidade do livro. Lemos e pronto, não é mesmo? Pois então eis que o sujeito resolve refletir sobre coisas que nunca damos importância quando se trata de ler algo. Como por exemplo:

O estudo da física do livro nos ensina que a forma a que estamos habituados corresponde a um certo manejo, a um certo emprego; ele nos mostra também que não é indispensável que a superfície sobre a qual depositamos os traços seja plana; se ela for curva ou complexa, a ligação entre suas regiões será totalmente diversa.

A arquitetura nos dá inúmeros exemplos desse fato. Os monumentos antigos são em geral cobertos de inscrições, que se dispõem em espaços de inesgotável variedade.

O lugar ocupado por uma palavra no desenrolar da frase muda seu sentido, mas o mesmo ocorre com relação ao lugar que ela ocupa no desdobrar da página, na expansão do volume.

Hugo declarava que o livro era um transformação moderna da arquitetura, uma arquitetura tornada plenamente móvel pelo fato de ter sido, por sua multiplicação, liberada de seu lugar. (240-241)

Isso não muda a vida de ninguém, mas acho interessante dar-se a pensar sobre temas como os sugeridos por Butor. Por quê se apegar àquela idéia rançosa de que tudo o que fazemos deve ser útil. Isso enche o saco. 

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